sexta-feira, 8 de março de 2013

Mulaia, Contos e Crônicas

CONTINUAÇÃO

__ Cento e quarenta saques pelas pedras.
E o grito de Hassam ecoou de certa maneira que foi ouvido assim como os demais pelo velho mercador que naquele momento orava, e intimamente concordou com a oferta, por ter julgado já suficientemente compensadora para suas mercadorias.Mas como se encontrava orando e o muçulmano não faz nenhum gesto na hora de orar, a não ser estender as mãos e louvar Alah, ficou calado, tendo apenas se comprometido com sua consciência que a oferta seria aceita.
Enquanto isso, as ofertas prosseguiam, atingindo o valor superior ao que havia sido ofertado por  Hassam.
Tendo o mercador terminado suas orações, concordou com o maior lance, recebendo o dinheiro entregou a mercadoria e chamou a sua presença o ofertante dos cento e quarenta saques.
Hassam porém receoso do que  estava acontecendo, e não tendo nos bolsos nenhum saque conservou-se calado, querendo se desviar do ambiente, evitando assim uma decepção.
Mas," La llar ila Alah", quando Hassan estava se despistando para sair, o mesmo que lhe havia incentivado para botar preço, insistia ainda para que fosse a presença do mercador, pois de nada devia recear uma vez que as pedras já tinham sido arrematada por outro.
Hassam novamente encorajado, foi a presença do mercador e disse:

__Pronto, fui eu quem botou cento e vinte saques pelas pedras.
Respondendo, disse o mercador:
__Quando fizeste a oferta, eu intimamente concordei, mas como estava orando, não pude confirmar publicamente, mas intimamente o fiz diante de Alah, portanto o excedente de sua oferta lhe pertence, seja feliz.
         E assim terminou o leilão de pedras de Bagdad,  Hassam alegre com o que tinha ganho, dividiu com o companheiro e seguiram, ambos satisfeitos para casa, mas nem por isso deixaram de assistir os leilões, e como as oportunidades são raras, nunca mais tiveram de ganhar tão fácil.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Malaia, Contos e Crônicas

                                          O mercador de pedras


Na velha e tumultuada Bagdad, em uma das suas feiras livres, onde os camelos se misturavam com os mercadores e transeuntes que ali se concentravam influenciados pela fama financeira que representavam aquelas reuniões, na sua quase totalidade composta por mercadores de varias partes do oriente, ali se movimentavam comercialmente. Desde as ricas pedras, as mais belas mulheres, eram expostas as rematações livres. Assim é que, por toda parte se ouvia o grito dos mercadores apresentando ao público suas mercadorias e escravas.

__ Man bi adfa aquitar?... (quem paga mais)

As multidões se concentravam em torno desses homens, numa fúria louca, com o intuito de adquirir mercadorias que lhes oferecessem vantagens, e as mulheres mais belas para seus haréns. E assim prosseguia por muitos anos a vida em Bagdad, a cidade dos minaretes, das mais belas mulheres e dos emires famosos.
                                                 Foi  numa dessas feiras que um mercador descarregando o seu camelo, estendeu no chão por sobre um tapete, alguma pedras preciosas que naquela época eram muito usadas para ornamentar residências de emires e homens de grandes finanças. Anunciou em seguida o leilão das suas mercadorias.

__ Um lote de pedras, quem bota o primeiro preço?... 
__ Respondeu um interessado__ sessenta saques!
__ Outro mais gritou __ sessenta saques!

E assim se ouvia constante o gritar das multidões aumentando a quantia até cento e vinte saques, e prosseguia assim o leilão, até aproximar-se a hora muçulmana de oração. Forrou o chão com um tapete descalçou-se e virando-se para a cidade de Meca, prostrou-se a orar, ouvindo também as ofertas.
Um velho chamado Hassan, que nada tinha nos bolsos e que estava ali, apenas olhando o desenrolar dos acontecimentos, foi advertido por um seu companheiro que lhe falou:

__Moço, que tens tu que não falas? Faça a sua oferta!
__Infelizmente não posso, estou sem nenhum saque no bolso.
__ Não tem importância, retrucou o companheiro, faça a oferta que ela não pegará, pois as pedras são muito cobiçadas e irão dar muito dinheiro.
Animado pela insistência do companheiro, gritou Hassan

__ Cento e quarenta saques pelas pedras.

Continua...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Casamento Mariana e Peter

No dia 02/02/2013 Mariana e Peter casaram, num clima de muito amor e alegria. Todos que participaram desse enlace ali estavam com muita vontade de que sejam eternamente felizes.
Desejo a vocês meus primos do coração que sejam venturosos nessa nova etapa das suas vidas, muito amor, paz e alegrias é o que lhes desejo. Segue fotos dessa noitada maravilhosa, parabéns aos dois.

O noivo, Peter
A noiva  Mariana muito bonita e elegante, e o pai .





Pagem Vitor  (meu netinho)e a daminha
















sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Exposição China Rrevelada

Barco de cerimonia, placas de marfim na forma de dragão, Sec XIX
Pessoal, quem não viu perdeu, a exposição China Revelada no Espaço Cultural Península, na Barra estava um arraso mostrando peças belíssimas e muito bem organizadas. Parabenizo aos curadores e organizadores do evento, realmente foi uma tarde memorável.
     
   A China país milenar possuidor de diversas etnias e religiões, donos de uma filosofia profunda, cercado de mistérios, é um país que eu realmente queria conhecer pelo muito que fala a minha aguçada curiosidade. Gosto do impossível, do misterioso, do incomum, do divino, aprecio a cultura o entendimento, o conhecimento das coisas, por isso fui até la na Ásia cheguei bem perto da China mas por impossibilidades pessoais não cheguei a conhecer esse maravilhoso país
A exposição reuniu peças de riqueza inestimável, apresentando o valor dos artesãos chineses, detalhistas, perfeitos, insuperáveis. Eu vi uma coleção de objetos que encheram meus olhos e os olhos dos que entendem de arte.
A exposição descreveu o sagrado, as cores, os mapas, os mobiliários, tudo bem elaborado e bem organizado.
Os mapas descreviam o Caminho das Índias, onde os viajantes daquela época se aventuravam ao desconhecido e a conquista dos novos mundos desde o Sec. II  a.C.

( Esse texto sobre "A China se protege" eu copiei do Espaço Península)

"Apesar de perceber a importância de uma troca comercial com outros povos, a China não tinha o menor interesse em abrir as portas a novas culturas.
A rota marítima aumenta o número de estrangeiros que tentam de alguma forma manter o comércio com a China. A eles é permitido somente um escritório, na cidade de Cantão, na foz do Rio da Pérola.
A China, imensa, já populosa e de sabedoria milenar revela ao Ocidente apenas o que lhe interessa."

Estátuas azuis em porcelana chinesa representando Ki-Lin, um dos quatro animais sobrenaturais da mitologia asiática. Possui chifre unicórnio, crina de cavalo, casco de bode, escamas e pelos, suas imagens estão relacionadas a tudo que há de bom e puro, moram no paraíso e vem a terra quando nasce
um grande estadista., ou governante.
O Dragão é o símbolo da perfeição e do sagrado, é a força e a coragem porque convivem com os quatro elementos da natureza, Água, Terra, Fogo  e Ar, são chamados Filhos do Céu e estão direcionalmente relacionado com a figura do imperador.

 As cores são observadas pela natureza que é fonte de inspiração para toda a arte chinesa, e os artistas trabalham com todas as gamas de cores e tons que ela oferece. Das mais remotas dinastias, a cerâmica chinesa já apresentam policromias. Conforme a técnica ao usarem as cores os esmaltes com maiores diversidades de tonalidades iam sendo aprimorados com o intuito de produzir formas e desenhos cada vez mais detalhados.


Escultura em granito, com vestígio de policromia
Sec. XIX

Ai está para quem não conhece uma representação dos Portões Sagrados
 que representavam a separação do mundo profano do mundo sagrado, estavam sempre nas portas dos templos
são os "Toril Gates"
 No Sec. XVII, temos uma grande variedade de esmaltes classificadas como Família Rosa, Família Verde, Família Negra e cores que so os chineses eram capazes de produzir, com, bleu de Chine e o amarelo imperial.
A China capta e interpreta essa profusão de cores com as quais a natureza nos contempla.
Travessa oitava em porcelana da Cia. das Índias decorada com cenas
 palacianas da dinastia Quing, Período Qianlong( 1735-1796)



A cultura chinesa teve como mestre Confúcio seu filósofo maior, é o país do Budismo  e do Taoismo  caminhos percorridos por toda um longo desenvolvimento, disciplina e paciência, fatores admiráveis nos povos asiáticos. O sagrado para eles tinham base nessas três filosofias que se representavam por animais, plantas a natureza em si. A ameixeira, o bambu, e o pinheiro representam os trés grandes filósofos que eu considero sem dúvidas da humanidade pelo legado que deixaram, são eles: Buda, Confucio, e Ki-Lin.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sabah- venceu a morte.

Continuação,

Antes de começar eu diria o desfecho foi surpreendente, não fatal como o autor escreveu. Vamos a continuação da história.


De certa feita completamente ébrio o camponês chegou ao lar. Com sua maneira selvagem seviciou mais uma vez a esposa que o aguardava para o jantar, e deu-lhe um bofetão e não satisfeito avançou com fúria em direção a companheira. Essa procurando defender-se, evitando  a mão pesada do esposo com os braços, segurava uma faca que utilizara a pouco antes do preparo da comida, a faca soltou-se da sua mão e foi atingir de cheio o coração do homem causando-lhe morte instantânea. Toda a cena não durou mais que cinco minutos. Alarmada com o drama que se desenrolara aos seus olhos, a infeliz gritou por socorro sendo acudida pelos vizinhos e, também pelos famigerados homens do  Cheik. Levada a presença do ditador da cidade, este ordenou-lhe morte pala fome.
  Por concessão especial, a condenada poderia ser todos os dias visitada por uma pessoa de sua família. Sabah sua filha teve assim permissão para visitar diariamente a genitora. Passaram-se os dias, outros vieram e a vida continuava normalmente. A condenada apresentava boa saúde, suportando em boas condições  a pena que lhe foi imposta. Passou-se o primeiro mês e ela não  morreu. As autoridades policiais e o próprio Cheik ficaram intrigados.
Será possível que aquela mulher tivesse tanta resistência física?
Tiveram então uma ideia, ordenaram ao carcereiro que do teto da prisão fisese observações já que sua filha Sabah ao entrar no cubículo era revistada e nada em seu corpo ou suas vestes era encontrado. Cumprindo a ordem emanada pelo Cheik, o carcereiro constatou que a condenada nutria-se do leite do seio da filha, a qual amamentava em casa um recém-nascido.
Sensibilizado com aquela cena de amor filial e satisfeito em poder desvendar diante do Cheik o mistério, o carcereiro correu aos pés do seu chefe e exclamou pasmado.
  - Senhor... Senhor, a condenada se mantem firme porque está sendo alimentada com o leite da filha...
Irritado respondeu o soberano: -  Tragam essa mulher a minha presença. Com a jovem Sabah ajoelhada a sua frente, vociferou:
Es criminosa duas vezes. Primeiro porque estavas desrespeitando uma sentença. Segundo porque estavas desviando a alimentação de um inocente, do vosso próprio filho recém-nascido. E por tudo isso estas condenada a mesma pena imposta a sua mãe.
Sabah com os olhos marejados de lágrimas, mas com a consciência tranquila, respondeu:
 - Cheik, senhor de todos nós! Sou acusada de estar enfraquecendo meu filho e de querer mata-lo lentamente pela fome desviando o leite que lhe pertence. Isso porém não é verdade, pois meu filho farta-se do leite, antes de vir nutrir minha mãe. Mas se assim fizesse não tinha nada, sou casada, meu esposo é ainda jovem, poderíamos ter outros filhos. Mas por Alah...Respondi-me ó Cheik... Se eu perder minha mãe, onde irei buscar outra? Respondei-me por Alah...Respondei-me.
A interrogação feita pela jovem Sabah ecoou por todo o palácio.
Não suportando a emoção do quadro que presenciara, o soberano anulou a sentença com as seguintes palavras:
 - Libertem a condenada. Anulo a pena imposta a essa jovem que aqui está e que soube, com amor materno vencer a morte que iria levar para sempre aquela em cujo ventre gerou-se e cujos seios amamentou-a.

Muito lindo esse conto de Mulaia, um exemplo de gratidão maternal.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Oi gente, boa tarde.

Com certeza vão gostar de mais uma história ou conto Árabe que papai, Rubens Massud escreveu em seu livro Mulaia.


Sabah- Venceu a Morte

Contam que na cidade de Baalbeck, em cujos arredores se acha erguido o famoso "Templo dos Deuses", residia um casal de camponeses que além da agricultura se dedicava ainda a venda de lenha. Uma filha do casal, mulher de rara beleza, ajudava  os pais na venda do produto adquirido com grande sacrifício nos campos próximos.
    Muito embora pobres e sem nenhum recurso ou conforto, viviam felizes, esperançosos de que Alah não os esqueceria e almejavam assim poder ganhar com menos sacrifício o pão de cada dia.
Mesmo casada Sabah, filha do casal continuava naquela labuta não se descuidando um instante de zelar pelos seus afazeres e de ajudar os pais, continuando todos a trabalhar pela manutenção do modesto lar.
Um dia como de costume o velho camponês saiu a procura de lenha e aconteceu que Alah (Deus) - Louvado seja o  seu  nome, determinasse o cumprimento do que estava "Maktub", escrito no destino daquele homem. Assim foi que, quando o mesmo atravessava as ruínas de um castelo antigo, deparou-se com uma pedra que dada a sua posição e formato chamou imediatamente sua atenção fazendo-o parar e remover a pedra. Algo de novo iria descobrir, e comessou a cavar com as próprias mãos até que atônito parou com a visão de um  baú enferrujado dentro do qual se encontrava lindas jóias e objetos de ouro de valor material e histórico.
Alucinado e radiante de emoção, o velho camponês retirou dali algumas peças e correu para casa onde comunicou a
companheira a descoberta. Essa porem mais experiente, adverti-o de que não deixasse transparecer qualquer sinal do achado, pois o governador do Cheik, senhor das riquezas se apoderaria de tudo e muito pouco ou quase nada lhes  tocaria. Combinados entre si, iriam retirando a fortuna achada sem que ninguém notasse.
Continuaram na mesma luta de sempre, vendendo lenha e pouco a pouco davam a impressão aos olhos dos que os cercavam de que o casal melhorava de situação financeira com o fruto do  trabalho cotidiano.
Muito embora cheios de ouro, cercados de conforto e usufruindo os benefícios que lhe foram dados por Alah (Deus), o velho camponês começou a frequentar os ambientes mais ricos da velha e tradicional cidade libanesa, tornando assim o maior estroina das festas.
Com seus novos amigos de "sarririês" foi-se aos poucos transformando-se num velho degenerado, beberrão e farrista, a ponto de chamar a atenção de cidade. Totalmente embriagado, chegava em casa esbofeteando a esposa, maltratando assim aquela que mesmo antes de se tornar milionária considerava-se feliz, porque acima de tudo está o sossego espiritual.
 E a velha Baalbeck assistiu durante muitos anos o desenrolar daquele doloroso drama, culminando com um desfecho fatal.



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Reveillon

Meu Reveillon foi um sucesso, dancei, ri, brindei, comemorei, comi muito bem, o cardápio excelente, muita fartura e um café da manhã delicioso. Foram servidos salgado e bebidas durante todo tempo, também incluído no pacote a champanhe para reverenciar 2013. Paguei por tudo inclusive transporte para levar e buscar em casa R$ 530,00, valeu  muito. Companhias agradáveis, muita alegria as pessoas que foram queriam exatamente o que eu queria se divertir, sem problemas, eu curti adoidado.
 Meu propósito para 2014 é o mesmo deste ano, Reveillon no Clube Monte Líbano sem sombra de dúvidas.
Quero que esse ano de 2013 entre com muita saúde e paz para mim, quero tirar da minha vida tudo que me fizer mal, me aborreça e me constranja, eu quero viver e viver bem, sem caras feias, reclamações, aporrinhamentos, discórdias, brigas e tudo mais que venha prejudicar, a harmonia e a paz na minha vida.
Também quero me desligar de problemas que não são meus, quero viver a minha vida, (já que estou iniciando a jornada de envelhecimento, pois daqui por diante é essa minha realidade), eu preciso pensar em mim, na minha paz e no meu bem estar.

Feliz ano de 2013 para todos nós, família, amigos, parentes, conhecidos e desconhecidos. Peço a Deus na sua misericórdia paz para o mundo. 

Beijooooooooooooos